Noite 9: Ancestrais
Penso que o ofício druida seja mais no sentido de investigar como nossos pais, avôs e os mais antigos que eles viviam e como era a felicidade deles com, supostamente, menos que nós. E refletir sobre o fato que a ciência vai resolver alguns Mistérios Divinos e muito desse texto se perderá, se já não ocorreu tal datação. Pode até ser que nunca tenha sido original.
30 DIAS DRUÍDICOS


O culto à nossa Ancestralidade é um dos aspectos do druidismo que mais gosto, pois valoriza a Sacralidade da própria consanguinidade e nos obriga a reconhecer nossa origem diversa, conviver com diferentes realidades e variados contextos culturais.
Penso que o ofício druida seja mais no sentido de investigar como nossos pais, avôs e os mais antigos que eles viviam e como era a felicidade deles com, supostamente, menos que nós. E refletir sobre o fato que a ciência vai resolver alguns Mistérios Divinos e muito desse texto se perderá, se já não ocorreu tal datação. Pode até ser que nunca tenha sido original.
Pelo sangue vem o calor de tapa na cara que convenceu o jovem Albino Marchesini á tomar o vapor transatlântico. Pelas Letras descobri que no coração de meu tataravô veio escondido ressentimento pela unificação italiana, agonia decorrente dos resultados da revolução francesa, o amargor da conversão irlandesa ao cristianismo e saudades dos tempos em Homens convivam em paz com os Deuses. O resultado de um coração fragmentado frente ao Estradão no fim do sertão paulista, só poderia ser um caixeiro viajante com famílias em Serra Negra, Amparo, Itapira, Jaguariúna e outras que optaram por manter nomes de outros pais. Meu trabalho não é deixar a História mais bonita, mas sim encontrar o Amor que move a Humanidade.
Na minha vivência formal com a História, firmei minha ligação ancestral com a Antiguidade, por isso me convém o Reconstrucionismo Celta que ampara o Druidismo Brasileiro, sendo algo muito similar a Cultura Caipira e que por sua vez se trata de Campesinado, algo Humano. Buscar reconhecer as próprias origens sem medo do que vai encontrar.
Acho curioso os mórmons batizarem toda a ancestralidade de um iniciado. Outra curiosidade é sobre ser uma igreja cristã que ainda trabalha com o conceito antigo de Templo, espaços que somente iniciados acessam; por exemplo aqui em Itapira temos capelas mórmons, eu posso ir conhecer tranquilamente, já em Campinas fica o Templo, lá, para entrar é preciso estar em determinados círculos hierárquicos internos. Um trabalho monstruoso para manter uma prática igualmente monstruosa, converter batizar pessoas mortas.
Se eu acreditasse de fato em um paraíso, não iria querer estar entre pessoas que obrigam mortos ao seu bel prazer.
É preciso anotar que o Capitalismo tem assumido práticas muito parecidas com a Feitiçaria para sobreviver. Li num site sobre economia, entre dicas para poupar financeiramente, encantar seu cofre: Dê um nome ao seu sonho. Dizia o colunista que deliberadamente quero esquecer o nome e não quero divulgar o link. Ainda aconselhava dialogar com esse cofre como forma de reforçar sua força de vontade em prol a um Bem Maior. Apenas para demonstrar que nem tudo que é Antigo é ultrapassado e inútil.
A reflexão que fica sobre os Ancestrais, que são também Deidades, Encantados e Deuses; O que podemos fazer com essa força intergeracional que nos atravessa? Tentaremos obrigar esse fluxo a cumprir um desejo mesquinho? Encorpamos o fluxo e ajudamos a desviar das pedras em meio a correnteza? Deve ser essa Pedra que obriga o fluxo a desviar ou bater e dissolver temporariamente? Nossos ancestrais nos seguem cegamente?
De toda forma, me parece mais sábio reconhecer que descendemos do Carvalho.
Pela Terra que Elbe Marquezini cultivou!
Pela Água que nos lava de toda maldade!
Pelo Céu de onde nossos Ancestrais nos vigiam!

Druir Ech Find
cavalo3branco@gmail.com


